Existe algum tipo de pré-disposição, dom ou aptidão natural? Será que o ser humano já nasce predestinado a exercer determinada função com maior habilidade do que outra? Teriam homens como Lampião e Al Capone nascido para o crime? Tendo em vista que foram bem sucedidos em suas vidas desregradas demonstrando interesse e até gosto pela violência.
Você sabia que até a década de 60 as gramáticas vinham com capítulos dedicados à versificação? E que o estudo da poesia era obrigatório, pois pertencia a grade curricular do ensino fundamental? Graças principalmente ao modernismo e suas novas visões de poesia, o ensino em escolas caiu no desuso, já que os poemas não continham mais metrificação, rimas, nem ritmo como em outrora.
A maior parte dos grandes poetas de nossa literatura conheceu a poesia na escola, chega a ser curioso imaginar Castro Alves ou Mario Quintana, levando para casa o exercício da aula de gramática e literatura, que deveria ser, compor um poema e fazer o estudo de outros tantos como a professora recomendou.
Penso que o estímulo durante a infância e a adolescência são o que geram essa personalidade íntima entre uma pessoa e uma determinada área, aliás, não apenas durante a juventude, quantas pessoas já após o amadurecimento conseguem descobrir algo com o que realmente se identificam? Trazendo para poesia, existiriam de fato pessoas naturalmente poéticas? Crianças que já nasceram com os versos pulsando em seus pensamentos? Acredito que não.
Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo – que foi? passou – de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
(Manoel Bandeira, Belo Belo)
Hoje temos um número enorme de pessoas que “escrevem” poesia, basta você fazer uma pesquisa rápida no Google para comprovar, uma infinidade de blogs sobre o assunto surgem todos os dias, ai vem uma pergunta interessante, seria isso uma febre de “aptidão”?
O gosto pela escrita é suficiente para definir alguém como poeta? Sei que a versificação caiu em desuso, mas ainda assim ela é um ponto de referência para o conhecimento da arte poética, assim como estudar a evolução dos pensamentos dos poetas e as formas de composição. Pode alguém ser médico sem conhecer a composição e utilidade dos medicamentos que irá receitar?
Meus Oito Anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
(Casimiro de Abreu, As Primaveras, Trecho)
Acredito que quando alguém fala em dom natural, está com isso apenas inflando seu ego, é como afirmar que nasceu com uma espécie de estrela sobre sua cabeça. Como sempre quero ressaltar que o tema do blog é poesia, por isso não vou entrar em outras áreas da arte, que de certa forma até permitem alguns enigmas quanto à genialidade de seus artistas. Pergunto-me se muitas vezes se o leitor não esquece de observar o poder da mídia sobre seu artista, o poder da fama, suponhamos que Drummond escrevesse um poema de qualidade inferior a sua obra, será que alguém levantaria o dedo e questionaria a qualidade, como o faria com um autor desconhecido?
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
Fico no aguardo da opinião do leitor.
dei uma parada no texto que estou desenvolvendo para o meu blog…com exatamente o mesmo tema!! eehehhe
bom, que bom que posso debater aqui sobre isso….
não acredito em qualquer forma de pre-destino….e você falou brilhantemente quando fala que isso é um desejo de nos sentirmos de alguma forma importantes ou tocados por algo maior….
me decepcionei muito com um livro de um psicologo junguiano esses dias…O Código do Ser….e definitivamente foi uma das maiores baboseiras que já li em minha vida.
o pior de tudo é que fui pesquisar sobre o que o próprio Jung falava sobre isso….e vi o quanto eu perdi tempo com suas teorias malucas. Mas como tudo, agente pega o bom e descarta o lixo….isso serviu de aprendizado.
Como Carl Sagan diria, viemos apenas de pó estrelar….e nosso planeta é apenas um pequeno ponto azul na imensidão do Universo!! Sim, somos insignificantes deste modo mesmo…mas desta forma pelo menos nos tocamos o quanto somos responsáveis pelo nosso destino…e tudo o quanto ´evoluirmos´ agora foi fruto de um constante aprendizado e erros….
Não se trata de aptidão,de dom… se trata de uma inclinação. Concordo que para ser um bom escritor, de maneira geral, é preciso conheçer os clássicos e a evolução da arte em questão e aí está um ponto chave: a arte evolui. As formas de se fazer arte evoluem. A arte não tem que ser absorvida pela cultura e pelas pessoas de sua época? Com isso não digo que as rimas e métricas tem que ser extintas, de maneira nenhuma, mas as novas formas de se fazer poesia dizem muito do momento histórico que se vive. Isso é fato. A arte, seja ela de cunho social ou não, sempre reflete sobre o seu tempo, é inevitável.
VocÊ afalou uma coisa que eu até já tinha comentado antes: abundam de blogs de poesia e de gente metida a poeta. Mas o que diferencia um do outro? Só querer não basta. Só saber a métrica não basta. Só querer se expressar não basta. Não sei se você nasce com isso, não sei se é dom, se é uma estrela sobre a cabeça ou, muito mais provável (rs….), uma espada de Dâmocles, mas o fato é que a poesia, muito mais do que métrica e técnica, é sentimento puro, intuição, percepção… racionalizar demais tira o brilho disso. De fato, eu já sabia que poesia era ensinada desde pequeno, taí outro ponto que demonstra o que falei: Todo mundo que aprendia poesia na escola, que tinha que fazer isso, gostava? Todos viraram poetas consagrados? Todos foram relevantes?
Existem bons poetas que nem se atrevem a escrever ficção, existem ótimos ficcionistas que são péssimos poetas, não sei porque seja tão difícil de se compreender que é assim que as coisas se afiguram. Não é só treino, é algo que não tem explicação e que impele. Eu, por exemplo, não me considero um bom poeta, me dou melhor na ficção. Mas não me incomoda saber disso. A mim não me parece que seja “ego” alegar que o poeta tenha algo inexplicável, porque não é só o poeta… é em todas as áreas. É com todo mundo.
Sinceramente, não me aborrece de maneira nenhuma quando algum poeta diz isso. Isso não me afeta, pois de certa forma eu concordo. Se Drummond diz que um anjo torto mandou ele ser “gauche”, quem sou eu pra discordar ou dizer o que eu acho?
Eu acho que sim, que existe algo inexplicável. E nem sou tão espiritualizado, rs….. O fato é que eu não posso generalizar as coisas. Se o poeta acha que é iluminado, tem dom, eu não vou discutir com ele. Ele deve ter seus motivos. Se o outro acha que não, que é prática, costume, aperfeiçoamento, eu também não vou contradizê-lo, ele deve ter suas razões pra chegar a essa conclusão também. O fato que muitos se consideram “fadados” a isso.
A inspiração não é “natural”, mas a inclinação talvez… o olhar, a percepção diferenciada. Mágica, surpreendente. A inspiração é o que não se costuma ver. É o que passa desapercebido. O insignificante, o aparentemente comum, isso também é matéria de poesia. A poesia diz o que todo mundo sabe, ela fala sobre o que todo mundo vê. Só que nem todo mundo é poeta. A diferença está no olho, em como ele capta e em como ele transmite.
Agora esse negócio ficou bom, kkkkkkkk. Afinal eu sabia que você ia aparecer pra dar a sua opinião inflamada de sempre,kkkkkk. Mas bora ao que interessa.
Veja só meu caro, os debates não são processos de convencimento, não quero obrigar a ninguém a pensar como eu, nem quero que tentem fazer o mesmo comigo. Mas façamos algumas reflexões a respeito.
O que quis ilustrar quando comentei a respeito do ensino de versificação foi que havia um estímulo desde cedo nas escolas para esse olhar poético. Claro que poesia não é técnica apenas, até porque é arte, e arte se faz com sentimentos, mas como você pode saber o que está fazendo se não conhece aquilo em quê se identifica?
O que faz muitas vezes a continuidade num determinado trabalho é o sucesso que se obtém com ele no início de sua vida artística. Suponhamos que uma pessoa qualquer encontra na poesia um “consolo” para suas inquietações, ele só progridirá no uso dessa ferramenta, enquanto ela for útil, se alguém procura na poesia reconhecimento alheio, ele só continuará caso encontre esse publico. Caso contrário tomará novos rumos, é ai que ponho em questão a relevância dessa suposta inclinação. Entendesse?
Agora quero sempre olhar os dois lados da moeda.
Fazendo um adendo a minha fala: não estou alegando dom nem nada do tipo, pois também não acredito nisso. Falo de pura mente, subjetividade, emoções. Como eu já tinha dito antes: nós todos somos diferentes. É fato. Nem tudo que se treina se faz bem. Isso também é fato.
Caro Eduardo,
Agora faço eu um questionamento que gostaria de sua resposta. Esse é um ponto intrigante. Como por exemplo podemos justificar alguns raros casos como o de Patativa do Assaré, que mesmo sendo semi-analfabeto e sem divulgação da grande mídia, ainda assim conseguiu um nível de comunicação muito amplo, de onde vem esse estímulo a reflexão? Estando ele distante da leitura e distante do conhecimento acadêmico?
Já dei minha opinião anteriormente nos comentários, mas isso é só pra incendiar o assunto.
Entendi o que você falou. A questão do público.
Só que eu acho que, se o poeta, escritor, se “vende” dessa maneira, então o que ele produz não é de fato algo que fosse urgente e que necessitasse ser expressado. É imitação. É desprovido de valor, pra mim… Claro que existem situaçõs onde o artista tem de ceder um pouco, principalmente quem vive ou espera viver disso (o que é MUITO difícil, principalmente hoje me dia), isso ocorre sim. Mas renunciar á sua “verdade”, simplesmente mudar de barco em função da aceitação… Isso denota que a inclinação de que falei talvez não fosse tão forte. Pois caso contrário ele enfrentaria. Ele resistiria, assim como os artistas fizeram na ditadura, mesmo que usando duplo sentido, mas sempre falando o que era preciso ser dito, pelo menos da parte deles. Se vocÊ muda o curso disso á sua revelia, então não era algo de fato tão extraordinário.
Enquanto o artista cria, essa arte já é útil. Se ele tem poucos apreciadores, isso não importa, pois a unanimidade é burra… o que importa é que essa arte toca em algumas pessoas. Isso já é útil. Se vai fazer “sucesso”, ou não, acho que esse não deve ser o foco.
Caro Vanderson, creio que você não compreendeu o que quis dizer, vou tentar ilustrar novamente. O que creiu fazer a pessoa manter esse “inclinamento” para determinadas áreas é justamente o nível de sucesso que ela obtém com o resultado final, por exemplo, se uma pessoa tem um gosto por escrever poesia, e acredita que escrever traz conforto para seu sofrimento, ela continuará escrevendo enquanto encontrar esse conforto, mas se um dia ele encontrar essa “fortaleza” em outro lugar ele deslocará seus esforços para o seguinte. Tem gente que busca conforto, outros público, outros apenas enriquecimento, por ai vai, são diferente formas de sucesso, mas no fundo são iguais. Irônico, mas possível.
Gustavo…
o lance que você falou da inclinação poética no passado escolar eu posso encarar como sugestão….esta estamos todos bem mais alheios do que possamos imaginar. Uma teoria científica por exemplo corre o risco se levaramos em consideração vias e abordagens mais ´ gerais ‘ para diversos campos. Eu não sou contra essa interdisciplinaridade, não sou estrutulista….mas é um perigo muito grande pegarmos um conceito e abarcar em termos gerais.
O lance com o Patativa do Assaré é muito interessante, mas vamos lá….eu acredito em tipos psicológicos como modos de raciocíno no qual uma pessoa tende a agir e funcionar…
alguns são enveredados pelo lado mais lógico da coisa….tem facilidade maior com exatas, matemática, fisíca….
outros lidam melhor com a criatividade, com a comunicação ou com conhecimentos mais abstratos e subjetivos.
Se isso for encarado com um dom, eu considero por esse lado…mas qualquer um dos lados está aberto ao desenvolvimento.
De fato, o exemplo da aplicação escolar serviu mais para ilustrar, é lógico que nosso interesse pode ser despertado partindo de lugares inimagináveis, pode ser que uma simples ilustração num jornal velho nos disperte mais interesse do que anos de estudos. Quanto ao Patativa do Assaré, vou esperar o Vanderson também opiniar porque ajuda a continuarmos com nosso raciocínio juntos.
Bem, tocha acesa, juramento feito, vamos à cruzada!
Esses dias discutinho com Gustavo sobre isso, quando ele falou que ia falar desse tema no broguinho, realcei minha opinião de que dom não existe e que hoje em dia, com essa ladainha pseudorevoltosa de “acredito no que quero e foda-se o mundo”, há muitos possíveis bons médicos, arquitetos, físicos e historiadores se disperdiçando, porquê parecem “achar bonito” dizer que é artista, e continuar poluindo a vista de quem lê as merdas que escrevem. Como bom bêbado, herege e blasfemador (parafraseando a velha rabugenta do Copying Beethoven. haha) que sou, concordo plenamente com o que Sagan escreveu e que o Eduardo citou. Sinceramente não gosto dessa argumentação de que “existe algo inexplicável”, e “não vou discordar se você diz que é dom”. Também não gosto da simplista explicação de que é uma questão de “inclinação”. Além disso, o Vanderson, que fez os comentários anteriores, se contradiz no fim do argumento, quando primeiro diz que “a inspiração é aquilo que não se vê”, e depois que “é o que passa desapercebido (sic). O insignificante, o aparentemente comum.” Seguindo a própria lógica dele, inspiração seria aquilo que se tem maior interesse em ver, e que não é o que atrai à – circunstancial, vale frisar – maioria, e não “aquilo que não se vê”. Mas concordo com ele quando diz que poesia é mais sentimento que razão, em essência. Entretanto, há algumas ressalvas que quero fazer sobre esse tipo de argumento. Nas últimas décadas, especialmente depois da Segunda Guerra, virou moda amaldiçoar e tentar desautorizar aquilo que é produto da razão, que é “duro”, como se pensar racionalmente uma vez ou outra fosse crime, já que agora “é uma época de mais sensibilidade, de mais subjetividade”. Ora, sensibilidade e subjetividade sempre existiram, assim como a razão, mas da forma que se pensa esses extremos hoje em dia, parece que vivíamos o inferno racional e agora estamos no paraíso poético. E da forma que o Vanderson argumenta, com distância e respeito celestial, parece até que os poetas (e artistas em geral) não cagam de vez em quando, ou que, quando o fazem, cagam lavanda. A questão é que, uns desenvolvem sua sensibilidade para a poesia, e outros por física, matemática. Por exemplo, eu como estudante de humanas, fico perplexo quando vejo algum amigo quase tendo um orgasmo ao ver um vírus se multiplicando, ou resolvendo “aquela” derivada. Por outro lado, fico puto quando digo que acho as “invasões bárbaras” muito fodas, e esses amigos dizem que de invasões bárbaras só lembram da torcida do santa invadindo os ônibus. kkkkk O que quero dizer é que, se você vive no campo, é muito mais provável que você queira se tornar um biólogo, vaqueiro, veterinário, caçador, vaqueiro, ou mesmo poeta. hahaha do que arquiteto ou físico nuclear. Sei que esse é um exemplo simplista, e por favor evitem os milhões de exemplos do contrário, pois o que quero dizer com isso é que, inspiração, inclinação, podem sim ser ao menos especuladas. Podem estar relacionadas ao lugar onde mora, a uma lembrança da infância, um lugar bucólico, algo que te marcou em suas primeiras socializações e por aí vai. Diria que, de tal maneira, inclinação e inspiração são só, e somente o reflexo da forma que você enxerga as coisas e o que faz com elas. Não quero parecer o carrasco impiedoso e sem coração que tenta achar uma explicação para tudo. De fato, ainda não temos explicação para tudo, e podemos nunca chegar a ter, já que até lá o tudo já vai ser um pouco maior, mas, e citando Douglas Adams, não precisamos achar que existem fadas num jardim para achá-lo belo. E acredito, sim, que é preciso conhecer o(s) método(s) daquilo pelo que se opta por fazer. Ah, e sim, eu acredito que optamos, não que somos impelidos, ou que estamos “fadados” a nada. Só estamos fadados à morte, e esse foi talvez o argumento mais clichê que já usei para encerrar um argumento, perdão. ahahahahaha Por exemplo, se você é estudante de Biologia, sabe muito da prática, mas não tem experiência com os métodos do laboratório, é muito provável que você vá causar um incêndio se ficar sozinho, ou que seu trabalho vai sair capenga. Claro, se você for bom em teoria, e tiver ao menos o básico da prática, vai conseguir melhorar seus resultados. Mas claro, se você acabar sacando que vai mesmo incendear algo, se tiver um mínimo de consciência, vai repensar sua existência e vai acabar optando por trabalhar em outro ramo da biologia. Trazendo para a arte, em especial a poesia, se você consegue desenvolver sua sensibilidade, mas não vai bem na prática, seja por que não gosta, ou porque chegou a conclusão de que não vai rolar, se você tem um pouco de consciência, ou vai procurar melhorar a técnica, ou vai ver o que dá na prosa. Do contrário, você pode acabar escrevendo num desses blogs que estamos aqui judiando com prazer perverso. E mais uma vez, essa de que “a unanimidade é burra” merece uma ressalva. Nem sempre ela é burra, às vezes a arrogância cega e falta de noção e autocrítica conseguem torná-la a mais inteligente forma de medição. No fim das contas, tanto na arte, como na ciência ou em qualquer aspecto que possa se tornar público da vida, se você não quer escutar a crítica é porque, ou já viu que o que faz é uma merda, mas é burro demais para admitir e prefere “morrer na tuia”, ou é preguiçoso demais para tentar mudar de ideia. Afinal, quem nunca gostou de receber um elogio por um feito, mesmo quando até para você mesmo foi algo medíocre? E mesmo quando se recebe uma crítica negativa, que mal há nisso? Ou estou certo e “os teimosos são sempre burros”? Nesse ponto volto ao argumento do Eduardo e do Sagan; não somos especias ao ponto de estarmos certos, mas seremos sempre burros se nunca admitimos que podemos estar errados, ainda mais quando se trata de nós mesmos.
Sobre o Patativa, vou me intrometer e comentar. Acho que, no caso dele, é uma questão de contato com a coisa desde cedo, a questão do lugar mesmo, já que ele escrevia sobre onde morava, e de treinar a técnica do seu próprio jeito. Afinal, ele deve ter crescido ouvindo poesia, e mesmo que fosse analfabeto, pensava, e podia ir montando os esquemas, rimas, formas, só na mente. E se ele mantem o foco, pode ter um bom resultado, como assim o fez.
Só para encerrar, essa vai para o Eduardo. Cara, eu tenho um verdadeiro problema pessoal com essa coisa de “se isso é o que você chama daquilo”. Já discuti muito com Gustavo sobre isso, quando ele dizia que achava que Deus era “a parte instintiva do homem”. Para mim, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, entendeu? hjahahahahahahaha Acho que tentar equivaler esse tipo de coisa só piora a discussão. Mas não estou querendo levantar polêmica sobre isso (ainda), podemos resolver numa mesa de bar.
Enfim, gostaria de afirmar que, apesar de toda aspereza em muitos trechos do argumento, não quero ofender ninguém pessoalmente. É que essa história de meio termo, celestização das coisas, distanciamento medroso, isso tudo me enche o saco. Acho melhor tropeçar nas outras cadeiras que ficar sempre sentado.
Thiago Silva
Ah, acabei esquecendo um detalhe, e não dá para editar o comentário anterior.
Quando o Vanderson fala sobre o público, acho que ele está sendo ultrarromântico. E mais uma vez, contraditório.
Se a questão da arte é puramente o “preço”, ou o valor investido nela, aliado à sua utilidade, seria o caso de dizer que o cinema, por exemplo, é uma arte sem utilidade e, seguindo os preceitos do Vanderson, sem valor, porque no fim das contas, o cinema é o melhor exemplo de uma arte prostituta. E se você analisar, um exemplo também daquilo que é expressivo. Ou você acha que, assim como hoje, antigamente ninguém vendia o que escrevia ou produzia artisticamente? Mesmo sendo ateu, não consigo deixar de ver arte verdadeira, expressiva, útil e valiosa numa obra como o teto da Capela Sistina, que é talvez um dos exemplos mais sensíveis e escandalosos de arte vendida. E sinceramente, eu acho que tem muito mais verdade, expressão e poesia num punhado de escritos “vendidos” por aí, que na maioria dos escritos “inspirados” dessa nova geração de pseudoartistas frustrados.
Sigam-me os maus!
Boa noite a todos os participantes do debate que quase virou um embate,kkkkkkkkkkk. Mas vamos lá.
Quero retomar o exemplo do Patativa do Assaré, o que me leva a crer por exemplo que o poeta desenvolveu seu interesse pela poesia veio justamente da tradição nordestina do repente e do cordel, tão comuns nas feiras no interior da região, ainda mais comum nos tempo de menino de Patativa. Justamente ai está o que vejo como o X da questão, muitas vezes o interesse de uma pessoa por determinada área surge quando o mesmo ainda é muito jovem, em alguns casos no início da infância, daí acontece do artista não recordar quando surgiu seu interesse. Vaidosamente vem aquele comentário despretensioso, “-Nasceu comigo.” .
Argumentos inflamados, um pouco incomodados demais, mas enfim, vou á minha resposta:
Quando falo de inspiração e digo que é o que está a mostra e é o que ninguém vê, me refiro a visão pessoal que cada um dá ao que escreve, pintando da forma que deseja. Não leve tão ao pé da letra. Como bem ilustrou Poe em seu conto da rua Morgue, cada um tem a sua visão do assassino. Me refiro a isso, não é contradição, se você tivesse lido um pouco melhor teria percebido isso. E se transparece no que escrevi que acho tudo belo e que a arte é “perfumada” e seja lá mais o que você ironicamente colocou que for, isso não e´bem verdade e eu me considero alguém bem realista e racional na maior parte do tempo. Por isso erijo a arte como esse lugar de devaneio, de divagação, onde a gente pode sair um pouco mais desse terreno hostil que é a vida e se tranportar para outro lugar. Sim é clichê, sim pode soar piegas, mas é assim que se sente a arte. Eu também não lembro de ter insinuado que o poeta caga lavanda, nem coisas do tipo (rs………………….), sinceramente, eu tentei usar uma linguagem mais poética e certinha pra me expressar e vem vocÊ ridicularizando o que eu falei, achando que são floreios pós-modernos metidos que endeusam a arte. Eu não disse isso. Eu disse o que acho. Que o artista tem sua inclinação sim, mas não falei em dom, nem nada do tipo… concordo que essa inclinação pode vir de algo da infância, de um trauma, de uma “visão divina” ou bucólica, de uma conversa com satanás em uma taberna decadente que se teve na adolescÊncia, enfim, cada um tem sua “própria” teoria e sabe de si. Ou não. Razão é inerente ao homem, sensibilidade também.
Transfiro também a você a crítica sobre a opinião. Talvez você devesse também rever as suas… eu revejo as minhas, eu estou constantemente pensando acerca do que digo que acredito. Me criticando. E de fato, meu caro, a unanimidade pode sim ser muito burra, principalmente a que se acha a mais esperta e “douta” e investe agressivamente pra cima das outras opiniões, não sei se você percebeu, mas a sua crítica foi totalmente calcada nisso: “vou agora dizer a verdade, vou dizer o que é mesmo nessa porra!! é isso, isso e isso e acabou-se!!!” É extremamente ridículo achar que é o detentor da verdade. Isso é burro.
Quem melhor do que eu pra saber que nós só estamos fadados á morte? Quando falo que o poeta pode se sentir “fadado”, não digo que a poesia pega ele pela mão e leva aonde quer, digo que ele sente necessidade de se expressar e encontra na arte essa forma, como pode encontrar em outras formas. Ele pode muito bem pegar essa vontade de se expressar dele e jogar no lixo, e então fim da história. VocÊ não conhece o que eu escrevo, não sabe sobre o que costumo reletir; eu sou muito realista, sou crítico, sou racional, mas vejo sim apoesia da forma que já falei. Se é simplista? Não me importa, não precisa de muita “complicação” pra falar disso. O simples as vezes é mais complicado e sofisticado, quem lê Drummond sabe.
Sobre a arte vendida, mantenho minha opinião. Não cosidero a Capela sistina uma obra vendida, você também não entendeu o que eu quiz dizer. Também sou (muito) racional (embora você não acredite), pois que eu falei de arte vendida, não apenas no sentido financeiro, eu falei de obra vendida em um sentido artístico mesmo. De você renunciar á sua verdade. Eu lembro que ressalvei, dizendo que as vezes o artista tem de ceder sim, pra viver daquilo, tem de pintar uma passagem bíblica, escrever um roteiro, fazer uma música com determinado tema… Da vinci mesmo, fazia seus trabalhos encomendados, mas mantinha seus escritos onde se expressava livremente… talvez você não tenha prestado atenção nessa parte. Talvez os argumentos contrários tenham saltado aos seus olhos e te deixado tão exaltado, pois parece que você se axaltou. me corrija se estiver errado.
Nem todo cinema é arte vendida. Passolini é um exemplo, pois morreu em funçaõ de sua anarquia nas telas. É disso que falo. Se isso é “morrer na tuia”, eu prefiro ficar na tuia dos que tem essa visão até ultraromântica sim da arte. Não é de hoje que a arte é endeusada, não foi só depois da segunda guerra mundual que o povinho pegou esse costume não. A arte já nasceu assim. É uma condição da arte, quem se interessa por ela e de fato se propõe a senti-la chega também a essa conclusão e isso não fere, pois a fala de quem se incomoda com isso parece uma ferida narcísica no peito de quem não enxerga a arte em si. E não tenho vergonha de dizer isso não, mesmo sendo um tanto quanto pessimista e realista demais as vezes, falo da minha experiÊncia com a arte da forma como eu vivo. De me emocionar com algo que consegue chegar a algum significante perdido… Não é vergonha dizer isso.
Se a maioria do cinema é vendido, eu fico com a minoria que não se vende.
Não me sinto pessoalmente ofendido, porque a sua exaltação nada tema ver comigo. Ela tem a ver única e exclusivamente com você.
Arte vendida pra mim e lixo. Não falo de arte marginal, não falo de arte excluida, pelo contrário, falo do que todos aplaudem de olhos fechados. Falo da arte sem crítica e sem sangue (por favor, seja um pouco menos realista e leia sangue aqui como metáfora, no sentido figurado ou o que for!!!!! rs…….. ) … porque a arte genuína, que diz do seu criador e do seu contexto, que é inovadora, que abre novas percepções, que as vezes choca e faz refletir, essa arte pra mim sempre será a bem vinda.
É muito fácil , eu diria que é uma afetação muito comum abrir a boca pra dizer isso que você disse. As vezes se quer chocar. De certo se quer provar que está certo. Já fui assim, mas refleti e mudei de opinião (como você mesmo disse e devia prestar atenção no que diz, as vezes a gente não presta…) … Se permita ver de uma outra forma. É engraçado ser assim, sair metendo bala em todo mundo, mas é meio irreponsável e eu digo isso poruqe, repito, já fui assim, e agora percebo que não tinha opinião. Eu era do contra. Eu era apenas do contra, mas minha opinião não era minha. Algo me incomodava e eu projetava nos outros apontando o defeito deles, ou o que eu achava que eram seus defeitos. Você falou nos pseudoartistas frustados. Talvez você se considere um e se incomoda com quem tá encontrando um caminho pra si… já fui assim também. O ser humano é uma vala de sentimentos mesquinhos como esse. É deles que costumo falar no que escrevo. Não me considero bom poeta, prefiro a ficção… Mas mudei, é por isso que tenho essa visão “simplista”, “ultraromântica” e “contraditória” … Porque parei de “me” endeusar e “parei” pra ver os “meus” defeitos … deixei de criticar os outros, porque minha crítica ferina só tem efeito sobre mim… deixei de me achar o dono da verdade, o eloquente, o espertalhão, pra refletir sobre o que me é exposto e rebater criticamente, mas sem perder a razão.
Pois você que a defende tão ferrenhamente parece que a perdeu na sua explanação. Quando se perde a razão a coisa fica feia. Como diria Goya, o adormecer da razão gera monstros. Monstros da intolerância e da arrogância.
Gera barulho. A gente não escuta nada. Só barulho.
Acho que esqueci de dizer que a minha respota era para o colega Tiago, caso lhe interesse.
Nada, é mais uma coisa de “hate the sin, not the sinner”.
Bem, vejo que realmente o bicho pegou por aqui.
Vanderson, na boa, não tive intenção de ofendê-lo pessoalmente. Se quiser me dar esse voto, posso garantir isso, tanto que, curiosamente até, antes mesmo de ver seu comentário, e “ouvindo” algumas aqui do Gustavo no msn, comentei o “hate the sin, not the sinner”. É que, da forma que você colocou algumas coisas aí, soaram muito simplistas e romantizadas para mim. Posso ter me enganado sobre algumas de suas opiniões, mas sobre outras, mantenho minha discordância. Sobre os “poetas que cagam”, foi mal pelo termo, é que nós (Gustavo e eu) já usamos esse tipo de termo numas conversas, daí acabou que ficou como “interninha”. Com relação a ser dono da verdade, não foi essa a imagem que quis passar, e se assim o fiz, não foi por mal. Não sou dono da verdade, nem quero ser, mas sinceramente, sou totalmente averso à essa onda em cima do muro, “a verdade não existe, então vamos foder com tudo e está tudo bem”, que é uma característica da pós-modernidade que pelo jeito você também não gosta muito. Não vou delongar mais sobre ponto A ou ponto B do que você escreveu, e do que eu repliquei. Também não vou comentar seus comentários um tanto pedantes, falando que “já fui assim, mas agora estou curado”, porque entendo sua ira com meus argumentos “barulhentos”. Mas saiba que no fim das contas, o barulho, no mínimo incomoda, afinal, você treplicou. Vamos deixar “em aberto” para quem mais quiser opinar. Mas enfim, a intenção do broguinho não é ser arena para gladiadores ou lugar para revanchismos, mas sim para um debate, que pelo menos começa saudável e acaba saudável, o que vem no meio já não dá para garantir. hahahaha Peço novamente desculpas se me deixei levar para o pessoal, e espero que isso não deixe nenhum sentimento de guerra no ar além do habitual.
Thiago Silva
Pessoal,
Primeiramente eu acho muito saudável estarmos discutindo idéias, essas sendo ou não ´´verdades´´ de nossa propriedade, estão livres de idéias autoritárias. Pelo menos aqui, o que mais é positivo é que ninguém usa de um status decadente de usar uma autoridade acadêmica para favorecer uma idéia.
Ninguém aqui se auto-proclama sábio, poeta, filósofo, biologo, cientista…mas por conta própria exercem desse ofício livremente, sem custos, sem rodeios, sem patrocínios, etc. Isto já não seria o estado mais puro da arte de pensar ?
Assim como nos filosófos clássicos, somos livres para viajar por qualquer canto, somos livres para debater frente-a-frente com qualquer pessoa. Debater é colocar à prova suas idéias, suas experiencias….estando aberto para ouvir, aceitar ou rebater se assim for necessário.
Thiago, concordo contigo sobre muitos pontos….não tenho muito para acrescentar. Fica difícil debater atualmente quando se contesta até a realidade empírica, a razão, a lógica e tudo mais….é de um relativismo tão absurdo que chega muito perto do solipcismo. Mas também não posso desprezar a arte de metaforizar e de poetizar do Vanderson, mesmo em debates como esse. Eu pelo menos não imagino um debate sobre poesia sem isso….
Acho até que chegamos num concenso de idéias que o tópico propôs….
Só acrescentando ao assunto:
- Acho que qualquer teoria sobre genética, psicológica ou seja lá o que for não se aplica neste assunto. Pra mim, pelo menos tá bem claro que o ditado ´´filho de peixe, peixinho é…´´ é uma falácia. Como citado pelo Vanderson, nascendo numa infância rodeada de artistas ou não….nada disso implica diretamente no nível do poeta.
-O que vale são as imagens que ele lida na infância, que influencia diretamente na sua maneira de interpretar o mundo. O que vem depois disso é ação/reação e casos e acausos. A facilidade que uns tem para coisa e outras não, acho que nem preciso me alongar muito…vocês já sabem e seria redundante me alongar nisso.
Ah….antes que me esqueça…
uma música para liberar a raiva ou terminar de incendiar o tópico….ehhehehe
Caros Senhores,
A coisa ficou inflamada, mas o Eduardo tratou de aliviar os ânimos. Concordo quando ele afirma a importância da opinião de Vanderson, até porque seria um tédio se todos concordassemos desde o início, não acrescentaria em nada para ninguém, por outro lado, vejo também a importância da opinião mais ríspidas de Thiago, tudo isso faz parte da rotina dos debates, sempre acontece, dessa forma aprendemos a ser mais controlados quando somos atacados e mais comedidos quando atacamos.
Caro amigo Tiago, também peço desculpas se acaso insinuei alguma coisa com meus comentários “pedantes”, rs………..
Quanto á questão da verdade, não é que eu defenda uma verdade sempre relativa, ou que esteja “cagando” (rs………..) pra tudo, muito pelo contrário. Trata-se de respeitar a verdade alheia. Você concorda que cada pessoa tem suas concepções de verdade, não concorda? É apenas disso que eu falo, que não existe uma verdade universal, uma generalização… Com isso não acho que devamos fechar os olhos e a boca e não debater nada, pelo contrário, acho que devemos comunicar nossas verdades sim. Mas de forma saudável e construtiva.
Também não estava me achando em duelo como você, só tentei expressar o que achei que você não havia entendido na minha fala, pois seu discursso estava muito taxativo nas minhas “contradições”, nos meus erros e enganos, e isso me impeliu a tentar reorganizar melhor o que eu queria transmitir e passar de novo. Mas em momento algum achei que o nível havia caído. Que bom que discordamos, que temos nossas opiniões.
Brigado também ao amigo Eduardo pelas pelavras dele. É bom ter a opinião de quem observou as duas falas e extraiu delas o que é mais relevante.
Do caralho o Soundgarden,rs……………
Vanderson, vamos deixar as “tretas” de lado, e as desculpas também, se não isso aqui vai acabar como o programa da Márcia. kkkkkk
Sobre a verdade, não acredito em uma verdade absoluta, e acho que o problema hoje em dia, com esses delírios de relativismo quase solipsistas, como o Eduardo falou, é que querem desacreditar também algumas certezas que sinceramente não parecem muito dispostas a se deixar dobrar. Entenda, verdade absoluta não existe, mas existem certezas, simples ou mais complexas, que precisam ser respeitadas. Afinal, não vejo como nem em dez séculos 2+2 vão deixar de somar 4. Ou pelo menos não fora das escolas públicas. hahahaha
Mas isso é só uma explicação da minha concepção, nem está diretamente relacionado ao que você disse.
Eduardo, meu caro, gosto da sua argumentação, você devia ser diplomata. hahaha Então, quando eu me referi à questões biológicas, psicológicas e no geral, científicas, não estava tentando explicar o como acontece, seria prepotente de mais até, mas só especulando sobre o que pode ser o gatilho para a tal “inclinação” que o Vanderson considera. Acho que, de maneira mais sistemática, isso começa nas primeiras socializações, durante a infância, como você colocou. E de fato, o que vem depois é “ação/reação e casos e acausos”. Sobre os filhos dos peixes, não acho que seja uma total falácia, baseado no que argumentei sobre as primeiras socializações. Se a criança vive em determinado ambiente, eu diria que ela pode, sim, e até provavelmente vai, ser levado para um caminho semelhante, mas de fato, não dá para garantir que seu trabalho vai ser bom ou não. Eu diria até que há um certo risco nisso, já que, se o individuo não consegue se achar na coisa, pode acabar não se sentindo bem para sair dela, devido às suas “origens”, se me entende.
No mais, a música é muito boa.
Thiago Silva
Tá ai, agora quem discorda sou eu. Acredito que em tempos como os de hoje, a regra do filho de peixe está cada vez menos válida. Cada vez mais o peixinho se influencia menos por sua família. Hoje há um culto a solidão, como meio de liberdade. Algo sinistro vem por ai. Eduardo não deveria ser diplomata, mas sim bombeiro, kkkkkkkkkk.
É, acho que agora o romântico fui eu. Olhando por essa perspectiva que o Gustavo colocou, devia ter escrito no tempo passado. Hoje em dia é isso mesmo, esse culto, às vezes muito poser, à solidão, e essa ideia, também muitas vezes falsa, de liberdade. Já estamos caminhando no meio desse algo sinistro.
Ae, Thiago…
vou aproveitar seu pensamento sobre verdade e complementar com o seguinte.
As maiores provas empíricas de uma verdade científica que eu vejo na prática, é de que um cientista, seja de qualquer inclinação religiosa ou ideológica, em sua atuação profissional, diagnosticando ou registrando experimentos….nunca, mais nunca mesmo vai poder abrir mão do que já foi comprovado cientificamente. Por exemplo, um cara que exerce a função de psicólogo e é, digamos, cheio de viadagem new age. Quando o bixo pega com um paciente, caso brabo de surtos paranóicos…. não tem jeito, ou ele medica o cara ou ele se torna responsável pela catastrófe na vida do cara.
Então o pessoal que gosta de contestar e desconstruir todos os fatos, no final não quer abrir mão do que já é comprovado. O que eu noto, e também assumo que acabo dando muita corda para elas as vezes, é certas teorias que explicam aparentemente, mas acaba passando do limite de especulação para uma suposta alegação.
mudando de assunto, vocês sabem onde eu acho a legenda desse documentário (Hype) sobre o grunge ?
abraços!
Thiago é o mais cotado para ter sua resposta quanto às legendas, e assim que tiver, espero que haja uma divisão cultural da informação. kkkkkk
Não acho que filho de peixe peixinho é. São iinfluências jogadas, mas o sujeito em questão é quem vai decidir. Como o próprio Tiago falou, ninguém é absolutamente “fadado” a nada.
Concordo com a teoria das certezas, porém as certezas universais também passam pelo nosso crivo pessoal e de certa forma as incorporamos, mas não puramente como são. Elas passam por modificações, por menores e simples que sejam, pra que possamos usá-las como paradigmas pessoais. Elas se misturam com nossos valores éticos, com nossa educação familiar, com nosso “achômetro” costumeiro e sempre atuante. Não falo aqui das ciências exatas, falo das “tendências” artísticas e demais movimentos filosóficos.
É dessa maneira que as coisas se modificam. É dessa forma que um discípulo de uma teoria cria outras ramificações da mesma.
Ser poeta, escritor, pintor… seja lá o que for, toda essa conjuntura depende sim das nossas primeiras vivências afetivas e sociais… A “escolha” das temáticas também diz muito de como vivemos nossas experiências. Um componente muito pessoal, uma vez duas pessoas que passam por uma determinada situação vão reagir de formas diferentes. Ou similares, mas nunca exatamente iguais.
Concordo que hoje em dia estamos vivendo em meio a um culto da individualidade e isso também se reflete na arte. Não classifico exatamente como algo negativo … mas pode sim, se não já é, tornar-se uma afetação, um modismo vazio. Um simulacro. hoje em dia vive-se o culto á imagem, á foto, a beleza estática … e a vida mesmo é deixada de lado. O que vale é o simulacro da vida, o virtual.
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“Concordo que hoje em dia estamos vivendo em meio a um culto da individualidade e isso também se reflete na arte. Não classifico exatamente como algo negativo … mas pode sim, se não já é, tornar-se uma afetação, um modismo vazio. Um simulacro. hoje em dia vive-se o culto á imagem, á foto, a beleza estática … e a vida mesmo é deixada de lado. O que vale é o simulacro da vida, o virtual.”
Agora eu li algo fudido de bom! Mas só para não deixar o Vanderson de ego inflado demais, vou discordar da classificação dele. Acho extremamente negativa essa arte pós-moderna, que é essencialmente ao período que se refere o parágrafo, acredito, porque, por exemplo, a tal arte conceitual não traz comunicação nenhuma para quem a contempla, é absurdamente egoísta, muda. Arte pop é outro lixo, só pegar algo “normal” e avacalhar com cores vivas e psicodelismo, e no geral, como eu digo sempre, essas “manifestações” só fazem com que gente sem talento ache que pode depositar na arte suas frustrações pessoais, e não bastasse isso, ainda se tornam arrogantes o bastante para se acharem artistas! Enfim, não vou estender o comentário, já basta de truculências. hahaha E Vanderson, esse comentário não é direcionado a você, só aproveitei sua “deixa” para falar da temática. E para não pensarem que estou sendo só “barulhento”, vai uma mostra da tragédia que é a arte atualmente.
Não sei o que é pior, ela ou os idiotas aplaudindo depois. Puta que pariu!
Eduardo, me envie um email que eu te passo torrent e legendas, em inglês e português. Mas vai te custar umas indicações de cantores de Blues. hahahahaha
Thiago Silva
Não sei como ajustar o video para aparecer, por favor alguém faça isso. Ou não.
E a Yoko Ono chamou isso de “poema conceitual”. Só não digo que foi o pior que já vi porque uma vez vi um mictório como peça numa exposição.
A arte hoje transformou-se em um arrôto que qualquer um dá e depois nomeia, criando uma teoria cósmica e transcendental em cima dela e depois expondo para as pessoas que não entendem de arte acharem que estão diante de algo extraordinário.
Sou muito afeito á arte moderna, modernista, pois não só se propunha a fazer arte de uma forma distinta, como também essa arte era carregada de significado e de emoção. Não era apenas uma mera “coisa” solta, que pode até ser arte na cabeça de quem fez, mas que de fato comunica muito pouco.
Sou também muitíssimo afeito á arte clássica, á arte primeva e carregada de toda a essência que a arte pode ter. Com ela também esgotou-se isso… Mas ela inspira. As vezes, observando alguma pintura antiga, ou texto, eu consigo sentir uma intensidade que hoje em dia é muito rara. Muitas obras clássicas são atuais até hoje. A maioria.
É preciso olhar para a arte de verdade para que o arrôto ao menos saia transformado. É certo que as concepções de arte também mudaram, o artista de séculos atrás não é o mesmo de hoje, ao menos no imaginário popular e na condição social, status, enfim, mas tenhamos respeito. Tenhamos bom senso.
Sou muito avesso a essa nova arte que é mais vazia do que se a sala de exposição estivesse de fato sem nenhum objeto. Você entra na sala, vê os obejtos, vê as “coisas” e nada te emociona. Você sai da sala e nunca mais se lembrará do que viu. nem irá querer ver de novo.
É engraçado, essa arte reflete mesmo os tempos atuais: vazio.
Thiago…
te mandei um email com dicas de álbuns de blues…mas não se esqueça de Elmore James e do meu baixista bluesman preferido: Willie Dixon!!
Porra, tá ai, gostei muito do seu último comentário Vanderson. Aproveito apenas pra fazer uma pequena ressalva, mesmo vivendo hoje um momento muito negativo penso ser importante não apenas comtemplarmos o passado, mas possibilitarmos uma composição artística interessante no presente, sem continuarmos cultuando certos nomes que se prevalecem da mídia como o que Yoko Ono, sem constestarmos a qualidade do que é oferecido, obviamente nossa opinião pouco será relevante, mas podemos sempre tentar trazer algo novo, ao invés de seguirmos a onda. Poetas famosos, com grandes obras em seus históricos não estão imunes a erros, podemos sim contestar a qualidade do que nos é apresentado como arte, obviamente que pra isso não se faz necessário um desrespeito ao poeta. Poesia é feita com o interesse de alcançar um público, de ser ouvido e conseguir de alguma forma contribuir com o leitor, nós como receptores da mensagem, podemos sim contestar o que nos é oferecido. Afinal o poeta não é feito de louça, às vezes uma “pedradas” também ajudam, e como concluimos ao longo de nossa conversa, arte não é um dom transcendental, um presente divino incontestável.
Abraço a todos.
Eduardo, não chegou email seu aqui. Tem certeza de ter mandado para thiagosilva1988@hotmail.com? Se quiser, deixa teu email aqui que eu envio a legenda e o torrent, daí você responde e manda o “pagamento”. hahaha Ou se quiser esperar um pouco mais, mando o documentário por Gustavo, já que baixei aqui de novo.
Eduardo, se você assim preferir, posso deixar no sábado mesmo na casa de Mari para que Juli lhe entregue o documentário.
Também sou muito a favor de discutirmos sim sobre a obra dos “consagrados”. também acho que podem “errar”, ou que podem produzir uma obra pouco inspirada, mas que pode ser ovacionada em face do status e da quase “grife” em que seus nomes se transfomaram. Acho que isso pode ocorrer por causa de alguma pressão do meio, alguma pressão imposta por quem lucra com as obras de arte. Mas não é desculpa, Dostoievksy (ignorem se estiver errado,rs…..), escreveu “O jodador” sob muita pressão do editor, porém saiu um ótimo livro. Vai muito do movimento criativo do artista, do que ele está vivendo no momento, por que tem épocas que não se cria nada que preste mesmo. Quer dizer, nunca se está totalmente satisfeito com o que se produz, isso é uma constante.
Todos tem fases ótimas e algumas machinhas que surgem aqui e alí também.
Thiago…mandei para o email do basterdsubs que encontrei no teu perfil de orkut.
Mas eu gostaria muito de receber o documentário…lembrando, Gustavo…que eu ainda estou com teu documentário Cervantes/Kerouac, tua coletânia de blues e o livro do Schoppa.
A coletânea de Blues é sua cara, não precisa me devolver. Sábado eu deixo na casa de Mari o documentário, vou falar com Thiago pra ele incluir outras coisas interessantes no dvd.