Feeds:
Posts
Comentários

Archive for agosto \27\UTC 2010

PARABÉNS AO BLOG

Hoje o blog, o humilde broguinho, faz um ano de existência. Nesse período ganhei muitos amigos, perdi alguns também, mas o que vale é que todos exercitamos nosso pensamento.

VIVA O BLOG, HUHU.
Fico muito feliz por ele ter sobrevivido até agora e mais ainda, por termos sempre uma crescente no número de visitas.

Desejo apenas que continuemos a incomodar por muito tempo.

Anúncios

Read Full Post »

Há alguém triste na multidão,
Por sentir-se sempre sozinha.
Porque não sabe seu coração
Que dedico-lhe este poeminha. 

Mas um dia, quando lhe reencontrar
Vou pará-la, para assim dizer:
– Sei que não é hora, nem lugar,
Porém fiz um poema pra você. 

Talvez traga-lhe mais esperanças
Perceber que meu olhar curioso,
De buscá-la realmente não cansa,

Mesmo sendo muito dispendioso
Procurar na multidão que avança,
Vós, que é meu diamante mais precioso.

Recife, algum dia de dezembro de 2007

Read Full Post »

Manoel Antônio Álvares de Azevedo (Álvares de Azevedo)
*12/09/1831
†25/04/1852

Casimiro José Marques de Abreu (Casimiro de Abreu)
*04/01/1839
†18/10/1860

Antônio Frederico de Castro Alves (Castro Alves)
*14/03/1847
†06/07/1871

Florbela de Alma da Conceição (Florbela Espanca)
*08/12/1894
†08/12/1930   

   Mortes prematuras, nomes fixados na história após suas mortes. Tento imaginar como era a vida no século XIX e início do XX, contudo, não penso com saudosismo, ainda somos os mesmo. Geração após geração, a nova ultraja a antiga, sempre foi assim.
   Todos os poetas citados no início do post eram ultra-românticos. No Brasil, na época de ouro do Romantismo a educação era dada em sua maioria por colégios jesuítas, os quais seguiam as linhas de educação da casa-grande e do mucambo, onde os jovens estavam habituados a serem castigados quando desobedeciam, fosse por um pai, tio ou padre, que no caso seriam os professores. Escolas tomadas por mofo, banhos coletivos e comida de pouca qualidade rendiam mais lucro as instituições de ensino, contudo, minavam a saúde dos alunos, por sua vez a medicina ainda estava distante de muitas descobertas feitas décadas depois. Gostaria de transcrever todo o capítulo que Gilberto Freyre escreveu a respeito do assunto, em Sobrados e Mucambos, contudo, não seria viável devido à extensão, mas ainda assim segue um trecho interessante:

“ “O menino branco também apanhava. Castigado por uma sociedade de adultos em que o domínio sobre o escravo desenvolvia, junto com as responsabilidades de mando absoluto, o gosto de judiar também           com o menino. O regime das casas-grandes continua a imperar, um tanto atenuado, nos sobrados.”
“Chegara a época de ser quase tão bonito morrer moço, aos vinte, aos trinta anos, como morrer anjo, antes dos sete. Morrer velho era para os burgueses. Os “gênios” deviam morrer cedo e, se possível, tuberculosos.” ”   
(Gilberto Freyre, Sobrados e Mucambos, Cap.III O PAI E O FILHO)

   Não é de se estranhar que após o convívio contínuo com esse tipo de aprendizagem, o jovem desenvolvesse certa admiração pela morte trágica, a poesia ganhou a imagem de uma porta de fuga, onde a imaginação permitiria alcançar o que o mundo restringia o acesso. De quem seria a culpa dessas mortes precoces? Dessa inversão de valores? Onde a morte era melhor que a vida. Seria da educação patriarcal, autoritária e opressora? Seria da medicina, que não dispunha de soluções para doenças simples na época? Seria dos padres que desejavam o lucro, por isso enfiavam os jovens em pocilgas, sem nenhuma manutenção ou higiene? Ou seria do jovem, que mantinha-se quieto com tudo o que lhe era imposto?

Adeus, Meus Sonhos!

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
                            (Álvares de Azevedo)

   Agora temos algo diferente. Algo realmente novo em nossas mãos, temos a liberdade de fato, como ela nunca existiu, mas ainda não aprendemos a utilizá-la. Nossa geração é nada além de uma repetição do século XIX, encontramos novos valores ao longo de tantos anos, mas ainda não conseguimos aplicá-los.

Kurt Donald Cobain (Kurt Cobain)
*20/02/1967
†05/04/1994

Agenor de Miranda Araújo Neto (Cazuza)
*04/04/1958
†07/07/1990

Ian Kevin Curtis (Ian Curtis)
*15/07/1956
†18/05/1980

Janis Lyn Joplin (Janis Joplin)
*19/02/1943
†04/10/1970
 
   Os tempos são outros, os erros os mesmo. De quem seria a culpa agora? Dos pais, que trocaram o autoritarismo pela displicência? Dos jovens que se deixaram absorver pelas drogas? Do estado?

  Não é difícil admirar um poema romântico, uma pintura expressionista ou empolgar-se com as batidas frenéticas do Rock, o importante, além da admiração, seria aprendermos a como produzir com a mesma qualidade, sem entregar nossa existência a um processo de autodestruição. Ainda estamos longe de aprender. Temos liberdade de pensamento, façamos agora dela, uma verdadeira ferramenta e não um fita quebrada repetindo-se infinitamente.

“Hey…
Dive
Dive in me
Dive
Dive in me
Dive in me
Dive in me
Dive in me”
(Nirvana – Kurt Cobain)

*Gostou? Envie através do Twitter para seus amigos, é só clicar no botão abaixo. Não gostou? Envie para seus inimigos, vai ajudar a poluir a caixa de recados dele.

Read Full Post »

   Hoje não é difícil encontrar textos circulando pela internet assinados por Mario Quintana, Drummond ou Ariano Suassuna. No geral são aquelas correntes de e-mail, as quais supostamente prometem felicidade e prosperidade caso você distribua a mensagem. No século XVII os autores não costumavam assinar seus textos, a preservação da autoria foi algo que só se difundiu com o Romantismo, muitos anos depois. Gregório de Matos tornou-se com isso mais que um poeta, metamorfoseou-se por culpa da população, numa espécie de criatura malévola, um lobisomem da literatura, onde todo e qualquer poema de cunho pejorativo era diretamente ligado a ele.

   Sem dúvidas o poeta tinha acidez em suas palavras, era um crítico ferrenho, o qual amedrontava a classe média e alta da sociedade baiana, mesmo em sua maioria sendo iletrados, ser citado em um poema de Gregório, o Boca do Inferno, como era conhecido, seria algo como ter o nome jogado à lama, já que o mesmo não tinha limites em suas composições.

“             1      

Jogando Pedro, e Maria
Os piques sobre a merenda,
Vi pois, que sobre a contenta
Maria picar queria:
Ela, que a Pedro entendia
Disse então: Aqui d’El Rei:
Pica-me, Pedro, e picar-te-ei.”

 (Poemas Satíricos, Gregório de Matos, trecho)

 

   Em pleno barroco, vivendo em meio a tantos dogmas religiosos que tolhiam muitos direitos, Gregório utiliza-se de uma linguagem ultra-moderna, com uma sinceridade dolorosa, para reclamar aquilo que achava incômodo, no geral fazia críticas ao comportamento das pessoas, de preferência, da classe média e da igreja, que estavam diretamente ligadas  a uma necessidade de zelo por sua imagem, quando na verdade não passavam de humanos cheios de imperfeições e culpas, satirizadas a golpes de chicote pelo poeta.

“   Décimas

  [a certa freira, que em Dia de Todos os Santos mandou graciosamente a seu amante por Pão de Deus um Cará]  

            1

No dia que a Igreja dá
Pão por Deus à cristandade,
Tenho por má caridade
Dares, vós Freira, um cará:
Se foi remoque, oxalá,
Que vos dêem a mesma esmola,
Que não há mulher tão tola,
que por mais honesta, e grave,
Não queira levar o cabe,
Se pôs descoberta a bola.

            2

Descobristes a intenção,
E o desejo revelaste,
Quando o cará encaixaste,
A quem vos pedia pão:
Como quem dizem: meu Irmão,
Se quem toma, se obrigou
A pagar o que tomou,
Vós obrigado a pagar-me,
Ficais ensinado a dar-me
O cará, que vos eu dou. “

(Poemas Satíricos, Gregório de Matos, trecho)
   Enquanto os sermões de Padre Antônio Vieira, podem parecer a maior representação do barroco, com sua temeridade a Deus, seu recato e sua vida social cheia de minúcias. Eis que surge Gregório, com um vocabulário não menos rebuscado, contudo, repleto de ambiguidade, ritmo, metro e rimas ricas, utilizados em prol da quebra do rigor, atitudes muito avançadas para sua época, é o soneto debochado, ao invés de enaltecedor. Um poeta que não utilizava uma lira, mas sim, martelos e pedras nas mãos. 

  

Read Full Post »

Vogais

O alento,
Ou a luta,
O poeta,
Ou a puta.
Tudo tão perto,
Apenas as vogais nos salvam.

Diga adeus,
Diga a Deus,
Diga aos meus
O quanto não queremos nada.

Se algo tivéssemos em comum,
Se a mesma resposta nos servisse,
Ainda assim, nada mudaria.

Read Full Post »

Poema sem nome

Acabo de receber em títulos de herança
Uns pedaços de esperança
Que faço questão de grudar.

Deram-me também umas obrigações,
Uns direitos
E dinheiro nenhum!

Não quero parecer mal agradecido,
Mas penso comigo,
De que servem esses poucos direitos?
Seria uma espécie de resposta
Aos meus protestos?

Tudo vai modificando-se,
Vai mudando de lugar,
Com exceção
Dessa minha persistência em reclamar.

O tempo todo, os sonhos transitam,
Vem e vão,
Como se não tivessem importância.
Com os meus farei um bom enfeite
Para a estante de minha sala.

Read Full Post »

O que seria uma poesia participativa? Estaria tal definição ligada diretamente a causas políticas? Há realmente uma necessidade de ter-se um partido? O problema é apenas político?

A resposta para tudo isso é simples e direta, não.  O poeta obviamente é um cidadão, como todos os outros, vive em meio a diversos círculos sociais, família, trabalho, amigos, religião.  Passa todas as dificuldades que os outros, tem o mesmo desconforto com a saúde pública, também não está protegido pela segurança pública, seu carro também fura o pneu com os buracos das vias municipais e federais. Contudo, não está obrigado a fazer destes problemas objeto de seu trabalho. Um cardiologista, não é mais importante que um oftalmologista, são apenas áreas distintas.

Aos meus olhos a poesia engajada é mais parecida com um antidepressivo, ao invés de uma passeata, as inquietações da mente nos levam a atitudes desnecessárias, chegando a estados doentios, transformando-se muitas vezes em um uma questão de saúde pública, como é o caso do suicídio, por esses dias me foi informado que uma pessoa por dia comete suicídio no Brasil.  A poesia é um processo de reflexão, que deve ajudar no desenvolvimento do senso crítico do leitor, transformar nele as possibilidades de se enxergar o trivial, quebrando com isso as traduções literais dos nossos sentimentos.

Eu ouço música

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo…

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá…

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.
(Esconderijos do tempo, Mario Quintana)

A filosofia precisa de justificativas racionais para suas conclusões, mas nem sempre nós, leitores, precisamos de tanta racionalidade, compreendo obviamente a importância de analisarmos minuciosamente nossas ideias, para  criarmos raízes mais sólidas, entretanto, nem sempre é possível, queremos apenas uma sensação instantânea, com poucas palavras um resultado que consiga apaziguar nossa inquietação, aconselhar ou responder sobre nossa incerteza. Um exemplo que quero utilizar para ilustrar o que digo, é o poema abaixo, do Mario Quintana:

“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, finalmente, dormir de sapatos”
(O Sapato Florido, Mario Quintana)

A morte, talvez, junto com o amor sejam os temas mais retratados com sofrimento por quase todos os pensadores, Quintana deu a ele, uma visão até agradável, compreensível até para crianças, sem causar todo o trauma do medo. Vejo na poesia uma grande oportunidade, de transformar interpretações, sair do marasmo, por isso combato ferrenhamente contra os poetas depressivos, lamentações trazem mais inseguranças. A poesia deveria ser estimulada no início da infância, nas escolas, como uma melhor maneira para se lidar com um mundo. Em uma entrevista com Ferreira Gullar, aprendi algo muito valioso, que o difícil mesmo é ser otimista, difícil e importante, porque as coisas têm uma tendência natural a dar errado,  mas ser otimista sem fugir da realidade é o que norteia nossa vida, não estou falando do otimismo esdrúxulo de Augusto Cury e sua corja, nem do positivismo, falo do otimismo que está ligado ao estoicismo, de superar a perda por termos feitos outros ganhos, ter consciência que todos os dias temos “derrotas”, mas não devemos deixar que isso tire o mérito do que já temos como conquistado.
Por fim, quero ilustrar meu post, com algo que acredito ser uma preciosidade, trata-se de um poema escrito por Fabiano, um rapaz que tem esquizofrenia, mas que encontra na poesia a válvula para sua inquietação, isso pra mim traduz bem o que é poesia participativa:

Speakends português

Fazerentes esenotes you speakendes português ou não?
Não, eu fazerentes esenotes falarendes português
Não meu nome, soudõsen’tes Felipe.
(Fabiano, Poemas avulsos)

Todos que leram o texto, devem agora ter se perguntado. Qual o sentido do que está escrito? Não importa. O principal é que a poesia conseguiu interagir com seu criador, que no momento era quem mais necessitava dela. Quantos poetas vão cair no ostracismo, sem nunca terem conseguido comunicar-se? Sem nunca contribuir nem mesmo com seu próprio enriquecimento?

Parabéns Fabiano, por seu poema surreal.

Read Full Post »

Older Posts »